Marvel’s Wolverine: destrinchamos Essex, Tyger Tiger, a pista de Gambit, o lado mais humano de Logan e sua conexão com Marvel’s Spider-Man
Alguns veículos da imprensa passaram cerca de duas horas com o jogo e trouxeram novas peças sobre Team X, Trask, Sentinelas, exploração, passado de Logan e até onde Wolverine se encaixa no universo de Marvel's Spider-Man.
Por meses, Marvel’s Wolverine deixou uma coisa bastante clara: a Insomniac não pretende esconder o sangue quando Logan colocar as garras para fora. Mas agora que jornalistas finalmente passaram cerca de duas horas jogando, talvez a pergunta mais interessante sobre o próximo grande exclusivo do PS5 já não seja até onde o estúdio pretende levar sua violência, mas o que existe quando as garras voltam para dentro.
As primeiras prévias trouxeram uma quantidade considerável de informações sobre história, combate, exploração e personagens. A Variety chegou a apontar que Marvel’s Wolverine pode entregar uma das melhores histórias de super-heróis do ano, enquanto a The Verge relata ter entrado na demonstração interessada principalmente no combate brutal e saído dela surpreendentemente conectada ao próprio Logan.
Olhando para tudo o que foi mostrado, começa a ficar mais fácil entender por quê.
A história começa antes de Wolverine ser exatamente quem conhecemos
A sessão apresentada à imprensa começa nas regiões selvagens de Telambang, com Logan retornando à Equipe X depois de passar alguns anos afastado. Mística e Dentes-de-Sabre fazem parte do grupo, mas talvez o nome mais importante para entender essa versão da equipe seja Nathaniel Essex.
Foi Essex quem encontrou Logan anos antes, quando Wolverine estava em um estado praticamente selvagem e sem suas memórias. Também foi ele quem criou a Equipe X com a proposta de proteger mutantes e construir um mundo no qual eles não precisassem permanecer escondidos.
No início da aventura, o grupo invade uma instalação de Bolivar Trask, que vem utilizando sua fortuna para capturar e estudar mutantes. A situação coloca Logan contra os Reavers, mercenários humanos transformados em ciborgues e velhos inimigos dos X-Men nos quadrinhos, além de Omega Red, e posteriormente leva à libertação de Essex, que estava sendo mantido prisioneiro por Trask.
É justamente aí que a história começa a ganhar uma camada mais interessante. Trask enxerga os mutantes como uma ameaça à humanidade, enquanto Essex acredita na superioridade deles. Logan acaba colocado entre essas duas visões, algo que o diretor criativo Marcus Smith descreveu como parte do conflito moral que o jogo pretende explorar. Mais do que simplesmente escolher contra quem lutar, Wolverine parece precisar descobrir quem pretende ser enquanto diferentes pessoas tentam definir o futuro de sua espécie.
Troy Baker é Nathaniel Essex, mas cuidado com o Senhor Sinistro
Outra novidade importante é a confirmação de que Troy Baker interpreta Nathaniel Essex. A Entertainment Weekly revelou que o ator, conhecido por personagens como Joel em The Last of Us, dá voz ao personagem, apresentado no jogo como um poderoso telecinético e líder da Equipe X.
Para quem acompanha os quadrinhos, o nome imediatamente acende uma luz: Nathaniel Essex é associado ao Senhor Sinistro. Isso torna sua presença especialmente interessante, mas conhecer o destino do personagem nas HQs não significa que a Insomniac tenha confirmado quando, como ou sequer se veremos essa transformação acontecer durante Marvel’s Wolverine.
O que já está claro é que Essex ocupa um espaço importante na narrativa. Ele faz parte do passado de Logan, fundou a Equipe X e representa um dos extremos ideológicos que cercam o protagonista, o que torna sua participação muito maior do que uma simples referência para fãs dos quadrinhos.
Wolverine é brutal. Mas não é invencível
No combate, a brutalidade continua sendo uma das principais marcas do jogo. Wolverine pode se lançar contra inimigos à distância, encadear golpes, utilizar técnicas especiais e aumentar progressivamente sua barra de Fúria, dividida em três níveis. Conforme ela cresce, seus ataques ficam mais agressivos e novas possibilidades aparecem.
Entre as técnicas mostradas estão Tornado Spin e Knee Breaker, enquanto as chamadas Adaptations permitem melhorar atributos e efeitos de longo prazo, incluindo vida e a própria barra de Fúria. No segundo nível, Logan pode utilizar Last Stand, transformando sua raiva em uma maneira de se recuperar quando é derrubado. No terceiro, seus ataques ficam ainda mais fortes e golpes críticos particularmente violentos entram em cena.
A Insomniac, porém, encontrou uma maneira de retirar dele justamente aquilo que poderia transformar qualquer combate em uma situação confortável demais. Trask possui Ability Inhibitors, equipamentos capazes de bloquear temporariamente as habilidades dos mutantes. Quando Wolverine é afetado, até seu fator de cura deixa de funcionar, obrigando o jogador a sobreviver sem aquela segurança até conseguir destruir o dispositivo.
É uma solução interessante para uma pergunta inevitável em qualquer jogo protagonizado por alguém capaz de se regenerar: como fazer Wolverine realmente parecer vulnerável? A demonstração ainda colocou Logan, Mística e Dentes-de-Sabre juntos contra um protótipo de Sentinela, exigindo esquivas, aparos e momentos específicos para contra-atacar.
A GameSpot também publicou suas impressões após cerca de duas horas com Marvel's Wolverine, acompanhadas de novas cenas do jogo exibidas durante o hands-on.
A Insomniac parece tão interessada em Logan quanto em Wolverine
É quando a demonstração diminui o ritmo que Marvel’s Wolverine começa a mostrar algo mais difícil de vender em trailers. Em Madripoor, Logan chega ao Princess Bar e, em vez de arrancar membros ou enfrentar outra ameaça gigantesca, simplesmente conversa.
Jean Grey está ali com jovens mutantes que vinha protegendo. Em uma dessas conversas, Logan admite que sua própria raiva às vezes o assusta e que gostaria de ser uma pessoa melhor. Mística também ganha um momento mais íntimo, convidando Logan para uma brincadeira de “Eu Nunca” que acaba expondo uma relação mais vulnerável entre os dois.
Com Dentes-de-Sabre, a situação é diferente. O comportamento provocador esconde um ressentimento real pelo fato de Logan ter abandonado a Equipe X anos antes. São cenas muito menores do que uma batalha contra um Sentinela, mas parecem fundamentais para aquilo que a Insomniac pretende construir.
A jornalista da The Verge conta que não possuía uma ligação especial com Wolverine antes da sessão. Depois de experimentar sua brutalidade e acompanhar suas inseguranças e relações no Princess Bar, saiu dizendo ter compreendido o personagem de uma maneira que não esperava. A Insomniac não parece interessada apenas em mostrar por que Wolverine é perigoso, mas também por que Logan teme aquilo que pode fazer.
Kelly Hu volta ao universo de Wolverine, mas agora como Tyger Tiger
Madripoor trouxe ainda outra revelação curiosa: Kelly Hu interpreta Tyger Tiger, proprietária do Princess Bar e uma figura importante para essa parte do jogo. A escolha possui um significado especial para quem acompanha Wolverine há mais tempo, já que Hu interpretou Lady Deathstrike em X-Men 2, de 2003.
Desta vez, ela retorna ao universo do personagem em um papel completamente diferente. Eric Monacelli, produtor executivo da Marvel Games, descreveu Tyger Tiger como uma espécie de âncora de Madripoor dentro da aventura, enquanto o Princess Bar será um dos pontos importantes dessa parte do jogo. É explorando justamente esse lugar que surge também uma referência que provavelmente chamará bastante atenção dos fãs dos X-Men.
Gambit esteve aqui?
Durante a exploração do Princess Bar, é possível encontrar uma espécie de vale-dívida escrito em uma carta de ás de espadas e assinado por Remy LeBeau. Sim, estamos falando de Gambit, mas é importante não transformar o easter egg em uma confirmação que ainda não existe.
A referência mostra que Remy LeBeau existe nesse universo e aparentemente possui alguma ligação com aquele local ou com as pessoas que o frequentam. Isso não significa que Gambit aparecerá fisicamente em Marvel’s Wolverine, mas, para um universo no qual os X-Men sequer foram formados, não deixa de ser uma pista interessante. Também reforça que explorar os ambientes pode render mais do que simplesmente materiais de melhoria.
Whisky, rastros e memórias escondidas
Apesar de Marvel’s Wolverine não seguir a estrutura de mundo aberto de Spider-Man, isso não significa que o jogador simplesmente seguirá de uma batalha para outra. Os Sentidos Aprimorados de Logan podem identificar conversas, música e rastros de cheiro, ajudando a localizar personagens e descobrir pontos de interesse. Há ainda caixas escondidas com materiais de melhoria e garrafas de whisky colecionáveis espalhadas pelos ambientes.
Uma das descobertas mais interessantes, porém, são as chamadas Nightmare Doors. Ao encontrá-las, Logan é transportado para uma espécie de cabana onírica que dá acesso aos Nightmare Trials, desafios cronometrados que transformam cenários conhecidos em versões quase febris e verticalizadas.
Chegar ao fim dessas provas pode desbloquear memórias esquecidas do passado de Wolverine, criando uma ligação interessante entre conteúdo opcional e narrativa. Logan está tentando reconstruir quem foi, portanto explorar e completar essas atividades não serve apenas para conseguir recompensas ou melhorar atributos. Pode revelar partes da vida que o próprio protagonista já não consegue lembrar.
E agora sabemos exatamente onde Wolverine acontece
Já sabíamos que Marvel’s Wolverine divide universo com os jogos de Spider-Man da Insomniac, mas o que não estava definido com a mesma precisão era sua posição na cronologia. Marcus Smith confirmou à Entertainment Weekly que a história acontece depois dos acontecimentos de Marvel’s Spider-Man 2.
Isso torna qualquer referência ao restante desse universo ainda mais interessante, embora seja melhor controlar as expectativas: até agora não existe confirmação de Peter Parker, Miles Morales ou qualquer encontro entre Wolverine e os Homens-Aranha.
Também sabemos que esta não será uma história de origem. Logan já possui adamantium e suas habilidades quando o jogo começa, enquanto o mistério está naquilo que ele não consegue lembrar. E há outro detalhe fundamental: os X-Men ainda não existem. Os mutantes sequer são amplamente conhecidos pela sociedade, colocando Jean, Mística, Dentes-de-Sabre e até a referência a Gambit em um estágio muito diferente daquele normalmente apresentado em outras adaptações.
Talvez as garras tenham sido apenas a maneira mais fácil de chamar nossa atenção
Até aqui, a divulgação de Marvel’s Wolverine tornou a brutalidade de Logan impossível de ignorar. Sangue, desmembramentos e um combate muito mais agressivo do que aquele visto nos Spider-Man estabeleceram rapidamente a identidade do jogo. As primeiras horas nas mãos da imprensa, porém, começam a revelar aquilo que trailers de poucos minutos dificilmente conseguiriam mostrar com a mesma força: a Insomniac parece tão interessada nas cicatrizes de Logan quanto naquilo que suas garras podem fazer.
Seu passado incompleto não funciona apenas como ponto de partida para a história. Ele aparece nas relações que ficaram para trás, nas pessoas que conheceram outras versões daquele homem e até em atividades opcionais capazes de devolver partes das memórias que ele perdeu. Aos poucos, o mistério deixa de ser somente descobrir o que aconteceu com Wolverine e passa a envolver quem Logan era antes de esquecer e quem pretende ser depois de descobrir.
É justamente essa dimensão que começa a aparecer nas primeiras impressões.
A Variety saiu do hands-on apontando a história como uma das que podem se destacar entre os jogos de super-heróis neste ano, enquanto a The Verge encontrou nos momentos mais pessoais aquilo que a fez se conectar com um personagem pelo qual inicialmente não tinha grande apego.
A violência continua sendo parte essencial de Marvel’s Wolverine. Mas, quando o jogo finalmente chegar às mãos dos jogadores, talvez os momentos mais brutais sejam apenas a porta de entrada para algo maior. Depois de vermos um pouco do que acontece entre uma luta e outra, surge uma possibilidade bem mais interessante: as garras podem ser o cartão de visitas, mas a história que a Insomniac parece realmente querer contar é a do homem por trás delas.
Marvel’s Wolverine chega ao PS5 em 15 de setembro de 2026.
Fontes: PlayStation Blog | Entertainment Weekly | Variety | The Verge
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