X-Men começa a tomar forma no MCU, e as escolhas da D23 podem dizer muito mais do que parece



Vampira, Tempestade, Professor Xavier, Ciclope, Jean Grey e Emma Frost estão entre os personagens confirmados pela Marvel. Agora que a surpresa passou, olhar para esses nomes juntos pode revelar algumas pistas interessantes sobre o filme de 2028.


A essa altura, quem acompanhou a D23 ou passou pelas redes sociais neste sábado (15) provavelmente já viu os novos nomes anunciados para X-Men: Jean Grey, Ciclope, Professor Xavier, Emma Frost, Vampira, Tempestade e até Adam Driver como Nathaniel Milbury.

Para quem perdeu o evento ou ficou longe dessa movimentação, só essa lista já seria motivo suficiente para chamar atenção. Mas, passada a surpresa inicial, talvez a pergunta mais interessante já não seja quem a Marvel escolheu, e sim por que escolheu justamente esses personagens.


Por que justamente esses mutantes?


A Marvel Studios confirmou Kit Connor como Scott Summers, o Ciclope, Christopher Abbott como Charles Xavier, Samara Weaving como Emma Frost, Inde Navarrette como Vampira e Maya Boyd como Tempestade. Eles se juntam a Sadie Sink, que já apareceu como Jean Grey em Homem-Aranha: Um Novo Dia. Adam Driver também foi anunciado, em vídeo, como Nathaniel Milbury. O filme será dirigido por Jake Schreier e estreia nos cinemas em 5 de maio de 2028.



Ainda pode haver outros nomes e personagens a serem revelados até que a Marvel abra completamente o jogo sobre o filme. Mas, mesmo sem conhecermos todas as peças, os escolhidos para essa primeira apresentação já dizem bastante.

Porque a Marvel começou misturando personagens de momentos muito diferentes da história dos X-Men.

E é justamente aí que as escolhas da D23 começam a ficar interessantes.


A Marvel já começou misturando gerações


Quando os X-Men surgiram em 1963, Stan Lee e Jack Kirby colocaram sob a orientação de Charles Xavier uma equipe formada por Ciclope, Jean Grey, então chamada Marvel Girl, Fera, Homem de Gelo e Anjo.

Jean e Ciclope estão entre os personagens confirmados agora. Fera, Homem de Gelo e Anjo, por outro lado, não apareceram entre os nomes apresentados na D23.

Isso não significa que estejam fora do filme.

A Marvel pode perfeitamente revelar novos integrantes nos próximos meses, e seria precipitado tratar esse primeiro anúncio como o elenco definitivo da equipe. O que já podemos perceber é que o estúdio não está se limitando aos cinco X-Men originais.

Tempestade, Vampira e Emma Frost entram imediatamente no tabuleiro, apesar de pertencerem a momentos muito diferentes da história dos mutantes nos quadrinhos.




Isso torna menos provável uma adaptação que simplesmente comece em X-Men #1 e avance cronologicamente.

E talvez seja exatamente isso que Jake Schreier esteja procurando.

O diretor já havia dito que sua versão dos X-Men seria “reconhecivelmente diferente” das anteriores. Kevin Feige também antecipou uma abordagem bastante voltada para personagens jovens, enquanto a própria essência dos mutantes continuaria ligada a pessoas que se sentem diferentes, deslocadas e tentando descobrir onde pertencem.

Agora começamos a enxergar melhor como isso pode funcionar.

Jean e Scott podem ocupar posições importantes nessa nova geração. Xavier naturalmente oferece a figura do mentor. Tempestade carrega a história de uma das maiores líderes que os X-Men já tiveram.

Vampira e Emma Frost, porém, deixam o cenário muito menos previsível.


E se nem todos começarem do mesmo lado?


Uma das coisas mais interessantes nessa primeira leva de personagens é que alguns deles não precisam entrar na história já comprometidos com o sonho de Charles Xavier.

Emma Frost é o exemplo mais evidente.




Antes de se tornar professora, líder e uma das figuras mais importantes dos X-Men, Emma foi a Rainha Branca do Clube do Inferno e enfrentou a equipe diversas vezes. Sua transformação de antagonista em aliada faz parte justamente da riqueza da personagem.

Vampira também não chegou aos quadrinhos como heroína pronta para vestir um uniforme dos X-Men.

Sob forte influência de Mística e Sina, esteve inicialmente do outro lado e enfrentou heróis antes de procurar Charles Xavier e encontrar outro caminho.

Isso cria uma possibilidade muito mais interessante do que simplesmente apresentar todos esses personagens já reunidos, uniformizados e perfeitamente alinhados.

Talvez nem todos comecem como X-Men.

A escola pode existir antes de uma equipe totalmente estabelecida. Alguns personagens podem ser recrutados durante a história. Outros podem inicialmente representar ameaças ou simplesmente discordar do caminho proposto por Xavier.

O filme pode mostrar parte desse grupo se formando diante de nós, sem que precisemos assumir hoje quem estará na equipe quando os créditos finais aparecerem.

E no caso da Vampira existe uma história que o MCU já tem todas as peças necessárias para explorar.


Vampira já tem uma Capitã Marvel esperando por ela


Entre todos os caminhos disponíveis para a nova Vampira, existe um que seria difícil ignorar.

Carol Danvers.

Nos quadrinhos, quando Carol ainda usava o nome Ms. Marvel, Vampira a atacou e absorveu seus poderes e memórias de maneira tão profunda que as consequências acompanharam as duas por anos. O acontecimento se tornou um dos capítulos mais importantes da trajetória de Vampira e uma das grandes rivalidades de Carol Danvers.




E existe uma diferença enorme agora.


Carol Danvers já existe no MCU.


A Marvel não precisa criar uma personagem apenas para possibilitar essa história, nem inventar uma conexão artificial entre os novos mutantes e aquilo que já foi construído. A Capitã Marvel de Brie Larson está disponível dentro desse universo.

Nada indica que esse confronto acontecerá no primeiro filme. Talvez nem esteja nos planos da Marvel.

Mas seria, na nossa opinião, um desperdício enorme nunca explorar essa relação.

Porque não estamos falando apenas de colocar Vampira e Capitã Marvel frente a frente para reproduzir uma luta famosa dos quadrinhos.

O encontro poderia apresentar de maneira brutal como alguns dos poderes da Vampira foram adquridos e estabelecer uma conexão imediata entre os mutantes e uma personagem conhecida do MCU e, principalmente, funcionar como um acontecimento capaz de mudar a vida delas.

Absorver Carol não significou apenas ganhar força, voo e outras habilidades. Vampira também carregou memórias e partes da personalidade de outra pessoa, uma experiência que aprofundou o conflito de uma personagem cujo poder já torna o contato físico algo perigoso.




Isso pode oferecer justamente o tipo de conflito interno que combina com aquilo que Schreier vem dizendo sobre os X-Men.

E há uma coincidência interessante.

Enquanto alguns desses jovens podem estar tentando descobrir quem são, o personagem entregue a Adam Driver parece obcecado exatamente em descobrir o que mutantes podem se tornar.


Nathaniel Milbury esconde um nome muito mais conhecido


Adam Driver foi anunciado pela Marvel como Nathaniel Milbury.

Para quem não acompanha décadas de histórias dos X-Men, o nome pode parecer novo.

Não é.

O homem que conhecemos como Senhor Sinistro é Nathaniel Essex, um brilhante e perturbador geneticista obcecado por mutação, hereditariedade, clonagem e experimentação. Ao longo de suas histórias, Essex utilizou outras identidades, e Nathan Milbury é uma delas. A própria Marvel registra o nome dentro da biografia oficial do personagem.




Portanto, Nathaniel Milbury e Nathaniel Essex não devem ser entendidos como dois vilões diferentes.

Estamos falando de Senhor Sinistro.

E essa escolha pode dizer bastante sobre o tipo de conflito que a Marvel pretende construir.

Sinistro é um homem que olha para os mutantes quase como matéria-prima para experimentos. Linhagens, poderes, reprodução, clonagem e possibilidades evolutivas fazem parte de sua obsessão.

Já seria uma combinação interessante para uma história sobre jovens tentando compreender aquilo que os torna diferentes.

Mas quando olhamos para dois dos personagens que a Marvel acabou de confirmar, a escolha fica ainda mais curiosa.


Sinistro pode colocar Jean e Ciclope no centro de tudo


Nathaniel Essex possui uma relação particularmente perturbadora com Scott Summers e Jean Grey.




Nos quadrinhos, Sinistro tornou-se obcecado pelo potencial genético das famílias Summers e Grey. Quando Jean era considerada morta, ele criou Madelyne Pryor, uma clone de Jean, dentro de um plano que acabaria colocando Scott Summers no centro de seus experimentos.

Madelyne e Scott teriam Nathan Summers, o futuro Cable, e a própria Marvel descreve as circunstâncias de seu nascimento como resultado de manipulações de Senhor Sinistro.

Isso não significa que Madelyne Pryor ou Cable estarão no filme de 2028.

Muito menos que a Marvel adaptará diretamente essas histórias.

Mas existe uma conclusão bem mais simples e interessante: colocar Senhor Sinistro em um filme que já confirmou Jean Grey e Scott Summers abre um enorme campo de possibilidades.

Os dois não são apenas X-Men famosos para esse vilão.

Eles pertencem a uma linhagem que esteve no centro de algumas de suas maiores obsessões.

E isso produz uma combinação quase perfeita com o tipo de história que Schreier parece interessado em contar.

De um lado, personagens tentando compreender quem são.

Do outro, um geneticista obcecado em estudar, manipular e decidir o que eles podem se tornar.




Talvez seja justamente por aí que esses novos X-Men consigam começar com uma identidade própria.

E onde fica Magneto?

Por enquanto, fora desse anúncio.

A Marvel não revelou um novo ator para Magneto durante a apresentação de X-Men na D23.

Isso não significa que Erik Lehnsherr esteja fora do filme ou sequer que não possa já ter sido escalado.

Simplesmente não sabemos.

Mas existe uma diferença enorme entre Magneto fazer parte desse universo e o primeiro filme precisar colocá-lo novamente como principal adversário de Charles Xavier.

Durante mais de duas décadas, os filmes anteriores exploraram intensamente essa relação, primeiro com Patrick Stewart e Ian McKellen, depois com James McAvoy e Michael Fassbender.

Senhor Sinistro permite começar em outro lugar.

Magneto pode aparecer depois. Pode já existir quando a história começar. Pode ser aliado, adversário ou ocupar uma posição muito menos simples.

Por enquanto, não precisamos escolher nenhuma dessas respostas.

O interessante é que a Marvel já colocou sobre a mesa um antagonista capaz de sustentar um conflito dos X-Men sem depender imediatamente de Charles contra Erik para definir esse novo começo.


Antes dos novos rostos, ainda veremos alguns antigos


Existe ainda uma peculiaridade nessa transição.

Antes de esse novo elenco assumir o futuro dos mutantes, o MCU continua lidando com personagens associados à era anterior dos X-Men.

Vingadores: Doutor Destino reúne nomes como Patrick Stewart, Ian McKellen, James Marsden, Kelsey Grammer, Alan Cumming e Rebecca Romijn. A Disney confirmou novamente esse enorme elenco durante a D23.




Enquanto isso, Sadie Sink já estreou como a nova Jean Grey em Homem-Aranha: Um Novo Dia, antes mesmo do filme dos X-Men chegar aos cinemas. A própria Disney destacou essa conexão ao apresentá-la no palco da D23.

A Marvel, portanto, não está simplesmente fechando uma porta e abrindo outra.

Durante algum tempo, personagens ligados a diferentes fases dos X-Men estarão orbitando o mesmo universo cinematográfico.

Como Doutor Destino e Guerras Secretas participarão dessa transição continua sendo uma das perguntas mais interessantes dos próximos anos.

Mas a D23 finalmente nos permitiu enxergar alguns dos rostos que farão parte do que vem depois.


A D23 revelou parte do elenco. Agora podemos tentar enxergar o filme


Talvez seja justamente aí que esse anúncio ganhe importância além das escalações.

Durante anos, a pergunta era quando os X-Men finalmente ganhariam seu espaço definitivo no MCU.

Agora sabemos que teremos Jean Grey.

Ciclope.

Tempestade.

Vampira.

Emma Frost.

Um novo Charles Xavier.

E Senhor Sinistro.

Isso ainda não nos diz quem serão todos os X-Men.




Fera, Homem de Gelo, Anjo, Wolverine, Magneto e dezenas de outros personagens continuam como possibilidades enquanto a Marvel mantém boa parte do filme em segredo.

Mas as peças que já foram colocadas sobre a mesa permitem imaginar um projeto pouco interessado em simplesmente reconstruir aquilo que vimos antes.

Vampira e Emma Frost oferecem personagens que nem sequer precisam começar a história como heroínas. Carol Danvers coloca à disposição uma das relações mais importantes da trajetória da Vampira. Jean e Ciclope entram em um filme que também traz um antagonista cuja obsessão genética pode colocá-los naturalmente no centro do conflito. E Senhor Sinistro permite que a ameaça dessa nova geração seja alguém interessado não apenas em derrotar mutantes, mas em compreender, manipular e controlar justamente aquilo que os torna diferentes.

A D23 revelou parte do elenco.

Agora começa a parte mais interessante: descobrir o que a Marvel pretende construir com ele.


Fontes: Disney | D23 2026 e Variety 




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